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domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro de 1973 - Classificação Indicativa 14 anos

No dia que é lembrando muitos dias antes de sua chegada, trago o curta metragem do diretor britânico Ken Loach.

E não, o tema central não é o 11 de setembro de 2001 dos EUA (que também considero um triste dia na nossa história). Nesse post, o foco é o 11 de setembro de 1973 no Chile. E esse, além de triste e terrível, foi desumano e atingiu trabalhadores e trabalhadoras chilenos em um dia que marcou a trajetória da luta popular no mundo.

Em 1973, o então presidente chileno Salvador Allende Gossen, socialista e eleito pelo voto popular, sofreu um golpe do chefe das forças armadas chilenas, Augusto Pinochet, que, com o apoio do governo americano e financiado pela CIA e pelas transnacionais norte-americanas, instalou o caos em um único dia da história e que vem perpetuando suas dores e tristes lembranças até hoje, 38 anos depois. Anos esses que só tendem a se redobrar, pois um acontecimento assim não é esquecido, a dor é sentida de longe, tanto em tempo como em espaço.

Infelizmente, esse 11 de setembro latino-americano pouco é lembrado, mas Ken Loach o concebeu em uma produção de quase 11 minutos e fez o trágico acontecimento de 1973 ganhar trilha, vozes, depoimentos, cenas e a dor, como ela bem foi difundida nesse dia. Originalmente feito para compor uma mostra de curtas que abordariam o acontecimento do ano de 2001, Ken levanta a trágica e covarde batalha contra a democracia e o povo chileno concretizado anos antes das Torres Gêmeas serem atacadas.

O curta lançado em 2002, ano no qual o 11 de setembro americano faria 1 ano, merece ser difundido e conhecido. Esse acontecimento histórico em forma de produção nos aproxima da luta e da necessidade de se conhecer cada vez mais a história e abrir as portas para causas e lutas justas, populares e que tragam autonomia, dignidade e força para qualquer trabalhador e trabalhadora em qualquer lugar do mundo.

"Eu sempre tenho confiança na inteligencia do povo. Então, se o povo organizado é inteligente, por que deveríamos ter medo de uma organização popular?" - Costureira Chilena em uma das falas do curta.



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

José e Pilar

Quando li “Ensaio sobre a cegueira”, fiquei imaginando como seria o gênio por trás do sotaque português. Sem dúvida, deveria ser alguém bem interessante de se conhecer e bater um papinho em um fim de tarde.

O documentário “José e Pilar” me mostrou um Saramago do jeitinho que eu pensava: inteligente, engraçado, humano e sensível escritor. De quebra, veio acompanhado de sua mulher e amada, Pilar. Outro ser humano fantástico que tive muito prazer em conhecer. (...)
Placa da Rua Pílar Del Río, que cruza com a Rua José Saramago em Azinhaga, Portugal.

A intensa vida do casal é representada em lindas fotografias, diálogos prazerosos, inteligentes e divertidos. É o dia a dia, são os pensamentos e, principalmente, o amor. Mais de duas horas de filme que nos levam a reflexões e nos desnudam em frente a dois seres sensíveis e fortes. Despertam o choro e o riso, em passagens doces, descontraídas, fortes.
Vemos o trabalho em cima de seus romances, a agenda cheia de eventos e formalidades. A doença maldita, o recuperar esperançoso. A vida que é vivida, mas que sabemos, e ele mais do que todos, que tem uma data certa para chegar ao fim. E ai não existe espaço para o medo.
José e Pilar, Pilar e José. A ordem dos nomes não carrega importância. Vemos dois protagonistas. O diretor Miguel Gonçalvez Mendes trouxe à tona a personalidade de ambos, de maneira simples, real. Temos uma produção grandiosa, imagens que ultrapassam a questão da beleza e uma trilha musical agradável e romântica, como ela bem merecia que fosse.
Melhor ainda é descobrir que por trás desse belíssimo filme, existem toques conhecidos e que a gente, então, entende o porquê do resultado final ser tão rico. Fernando Meirelles é um dos grandes nomes os quais posso citar, o restante vocês podem conferir aqui.
Ainda bem que José Saramago e Pilar Del Río ousaram um dia se encontrar. Nos presentearam com romances, inspirações, sonhos...com a vida, na sua mais bela concepção.


Classificação Livre

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O homem que engarrafava nuvens

O titulo de sonhos é a porta de entrada para o lindo documentário que apresenta a vida de Humberto Teixeira, político, advogado, compositor e artista!
Apesar do fraco enfoque na personalidade de Teixeira, o que deixou muito a desejar, o filme transporta o público para um mundo cheio de peculiaridades interessantes e regionais. Fazendo baião e história, por trás dos bastidores, Humberto ganhou uma abordagem repleta de músicas e interpretações vindas de grandes cantores. O documentário chega próximo a ser um musical, tocante e envolvente. Como não se emocionar ao ver Lenine interpretando "qui nem jiló" ou Lirinha declamando o baião em pleno século XXI. É forte. A cara do Nordeste. A cara da gente. Vídeos raros foram resgatados. Temos uma surpresa ao nos depararmos com um papo em prosa entre Humberto e o Grande Luiz. É gostoso de ver, ouvir e sentir.
Talvez, para quem não tenha essa ligação forte com o Baião, o filme não seja tão bom ou envolvente e muito menos emocionante. Não. Infelizmente. A bagagem que a pessoa possui é importante para que o longa atenda ao que ele se propõe. Resgatar nossa cultura, nosso imaginário popular, e ver que do tão simples podem sair coisas extremamente belas.
Como dito no começo, não conseguimos ver ao fundo quem era Humberto Teixeira. Conhecemos seus feitos, sua arte, sua música, o que muitos - inclusive eu - nem imaginávamos antes de sentarmos na cadeira do cinema. No entanto, não chegamos a entender ao certo o seu eu, o eu Humberto, o Homem que se escondia atrás de Gonzaga e que era raptado por olhos verdes.
Fiquei com uma sensação muito boa ao sair do filme, gosto de "que coisa bonita", boa! As inúmeras participações especiais do documentário não caberiam aqui no post, mas são valiosas, grandes, merecidas. Teixeira nos deixou um presente, junto com Gonzaga em boa parte de suas composições, nos apresentou o baião e o levou para o mundo. E que gostoso escutar, que gostoso sentir.
E como não é só de música que se faz um filme, as fotografias mescladas ao enredo de composições do doutor Cearense deram ao documentário um ar grandioso. Lindas e fortes imagens foram projetadas e marcaram a narrativa com uma sensibilidade de extremo bom gosto.
Finalizo esse texto com a sensação de que deixei de dizer muita coisa, mas acredito que só vendo para entender o porquê de tantas glórias acerca do filme. Humberto engarrafava nuvens, desenhava canções, escrevia sentimentos.



Classificação Indicativa: Livre

Um pouquinho do que eu tanto falei: