Mostrando postagens com marcador 16 anos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 16 anos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O homem que incomoda

O Homem que incomoda é um daqueles filmes que a explicação vai além do que está a nossa frente. Requer reflexões e pelo menos 5 minutos de silêncio e concentração após o seu fim e o início do letreiro final. O titulo é muito bem-vindo, quando se vê que realmente existe um incômodo constante. Jens Lien, diretor, fez um longa parado, tenso, sem muita cor e muito menos vida. Falando assim, parece que não tem como parar e ver um filme desses, mas acreditem, como tem! Certas coisas vão sendo desvendadas aos poucos, as que não são, fica a nosso cargo imaginar, deduzir ou simplesmente ficar sem saber, porque simplesmente não precisam. A narrativa é acompanhada por uma trilha muito adequada. São canções instrumentais, que acabam nos levando a uma angústia tensa e criam um forte envolvimento com a obra de Jens Lie.
Falando um pouco do seu enredo, temos o seguinte: Andreas chega a uma cidade aparentemente distante e perceptivelmente estranha. O local é totalmente desprovido de diferenças, cores, gostos e as pessoas são extremamente passivas, frias e sem sentimentos. Como Andreas foi parar ali, ele não sabe. Muito menos como sairá e como conseguirá se adaptar a essa nova realidade. Ele ganha um emprego, uma esposa e passa a desconfiar de tudo e de todos. O desespero começa a lhe perturbar. A morte não existe, muito menos há vida. Não se pode ver crianças correndo. Não se pode ver o sentido daquela existência. Todos estão fechados em seus mundos e tudo é racional ao extremo. Essa sociedade está predestinada a viver daquele mesmo jeito para sempre, sem expectativas, rancores, medos, emoções ou dúvidas. Os que vão de encontro a esse regime, são retirados e colocados em um lugar inóspito, um nada.
No filme, temos a eterna referencia a metafísica. Além disso, percebe-se um outro paralelo, uma realidade abstrata. Mas que através de metáforas podemos ligar ao nosso dia a dia e nossa vida na Terra. O quanto nos prendemos a uma felicidade traçada? Jens Lien nos convida a rever a forma como levamos nossa vida, o jeito que encaramos e nos importamos ou não com coisas, pessoas e sentimentos.
De repente, a vida está ai e não está sendo vivida. De uma maneira geral e até individual. Será que nós estamos certos do que queremos para nós? Eu estaria buscando uma felicidade minha ou uma predisposta?
O Homem que incomoda nos “cutuca”, e se você conseguir assisti-lo até o final, pode ter certeza que terá valido a pena.



Classificação Indicativa: 16 anos 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

The Elephant Man (O Homem Elefante)

O preto e branco da obra de David Lynch retrata a história sofrida de um homem que viveu entre dores e sonhos, em uma sociedade movida pelas aparências. E esse personagem real nos deu um novo significado à beleza na vida.

Assim que comecei a assistir a O Homem Elefante, sabia que algo de espetacular e especial estava à minha espera. Revolução Industrial, sociedade inglesa do século XIX, John Merrick como uma das atrações do circo dos horrores. Aos 21 anos, o Homem Elefante tinha uma vida que ninguém desejaria a ninguém.

David Lynch constrói um cenário duro, real e lindo. Emocionar-se com o longa é quase inevitável: as cenas fortes, a fotografia linda e a triste história real se misturam em um amontoado de surpresas e angústias. Isso me faz dizer que este é um dos melhores filmes que já vi.

Ao longo da obra, não há como não se apaixonar pelo jovem de corpo todo deformado e com uma sensibilidade que transborda dos olhos amedrontados. David Lynch promove o encontro do sensível com o horror. Do horror com a beleza. Da beleza com a tristeza.

Aos poucos, vamos desvendando John, vamos nos afeiçoando por ele e, assim, deixamos as lágrimas escorrerem. Simplesmente um filme incrível, de aprendizado e de se querer o bem. Uma obra que nos deixa reflexões e fantasias e que, assim, se faz lembrar.

Sim, repito: um dos melhores. E se, em cada cena, me pergunto como essa história pode ser real, porque ela é, não saberia explicar tamanha grandiosidade se não fosse.

O Homem Elefante nos deixa a sensação de que existe algo de singelo em todos os lugares, em cada um de nós e em cada sentimento. John Merrick foi um grande homem. O Homem Elefante é um grande filme e, com certeza, ficará na mente de quem o vir.

Uma produção que faz a gente se confrontar com os próprios julgamentos e preconceitos e nos leva a uma viagem para bem pertinho de um mundo interior único. Único como cada um de nós. Seres humanos que somos, apenas seres humanos. E incríveis.


O trailer, pra quem é de trailer.

Classificação Indicativa: 16 anos