O Studio Ghibli é uma espécie de afetividade rodeada de mostras do que a imaginação humana é capaz de criar. Este ano, completei o ciclo dos filmes do estúdio japonês e compartilho aqui uma lista que vai dos que menos gostei aos que mais me encantaram:
terça-feira, 29 de dezembro de 2020
domingo, 14 de junho de 2020
Se não posso abraçar, indico filmes 💓
É 2020 e ninguém imaginou que estaríamos em distanciamento social, limpando o pacote de cuscuz. Se não fossem os afetos e a arte, a gente não aguentaria. E nos altos e baixos dessa montanha russa de sentimentos, resolvi reacender a sala desse cinema indicando alguns filmes. Separei por categoria, e sempre que lembrar ou ver um novo, atualizo. Dicas são bem-vindas, há um item dedicado a sugestões das amizades. Os filmes estão me ajudando bastante nesse período, espero que ajudem vocês também. O cinema mostra que ainda conseguimos pulsar. [Atualizado em 20 de março de 2023]
Legenda:
Azul: o filme está na Netflix / Vermelho: contém link para o filme
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Machuca
Um filme de Andrés Wood, 2004.
O golpe militar de Augusto Pinochet matou milhares de pessoas, marcou um povo e transformou vidas. Antes, dois garotos ousaram construir uma sincera amizade.
No Chile de 1973, o sonho que emergia dos ideais populares acabou soterrado pela retomada do poder tradicional voltado ao capitalismo americano. Salvador Allende, socialista e até então presidente, ao mesmo tempo em que ganhava o apoio do povo, via-se encurralado pelos interesses da extrema direita e da receosa burguesia local, que exigiam o fim de seu comando.
O Chile era a exaltação de desejos e ideologias. A esquerda e a direita marchavam pelas ruas colorindo a realidade, dando sons às ruas, esquinas e praças da cidade. A história via-se viva, pronta para ser contada.
A realidade histórica mistura-se então ao enredo audiovisual.
A realidade histórica mistura-se então ao enredo audiovisual.
A rotina de Gonzalo Infante adequava-se, de maneira distante, a esse contexto. O sensível garoto, membro mais novo de uma família da elite chilena, pertencia ao conceituado cotidiano escolar da Saint Patrick. Comandada pelo padre progressista McEnroe , ironicamente vindo dos EUA, a escola iniciou uma política inclusiva alinhada às condutas sociais de Allende.
Já Pedro Machuca envolvia-se com a vivacidade histórica da época. Morador de uma das comunidades de Santiago, o menino enfrentava uma realidade em que a desigualdade social alimentava as aspirações por justiça. Junto a outros garotos de bairros periféricos, Machuca chega a Saint Patrick, levado pelos ideais do socialista americano.
O encontro de dois mundos estava decretado. Os jovens iniciaram uma surpreendente amizade, vivenciaram as descobertas da juventude e passaram a conhecer um outro Chile. O novo de um era o corriqueiro do outro. Nessa trajetória, a disputa de classe que inflamava os ânimos da população passou a ser representada na relação dos garotos.
Os contrates, as dúvidas e os medos puseram os dois frente a frente. Nesse cara a cara, os sentimentos nos lembram do quão complicado pode ser o relacionamento humano, e, ao mesmo tempo, de como lindo pode ser o desenrolar de uma amizade. Pedro Machuca e Gonzalo Infante nos presenteiam com as diversas facetas humanas.
Apesar de Machuca intitular a produção, Gonzalo possui grande importância na obra. Nele percebemos que a alienação nem sempre pressupõe a insensibilidade diante das injustiças. Ao entrar em contato com o verdadeiro Chile da década de 70, o jovem rapaz compreende que o país superficial em que ele vive é um circulo fechado, uma negação do momento histórico que seus compatriotas estão vivendo. Gonzalo se perde para começar a se encontrar.
André Wood pôs doçura no Chile em transição de 73, alimentou com lágrimas as esperanças esquecidas e nos trouxe a triste história revestida do companheirismo, sentimento que não deixaremos nunca de conviver, de um lado ou de outro da luta.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
O homem que incomoda
O Homem que incomoda é um daqueles filmes que a explicação vai além do que está a nossa frente. Requer reflexões e pelo menos 5 minutos de silêncio e concentração após o seu fim e o início do letreiro final. O titulo é muito bem-vindo, quando se vê que realmente existe um incômodo constante. Jens Lien, diretor, fez um longa parado, tenso, sem muita cor e muito menos vida. Falando assim, parece que não tem como parar e ver um filme desses, mas acreditem, como tem! Certas coisas vão sendo desvendadas aos poucos, as que não são, fica a nosso cargo imaginar, deduzir ou simplesmente ficar sem saber, porque simplesmente não precisam. A narrativa é acompanhada por uma trilha muito adequada. São canções instrumentais, que acabam nos levando a uma angústia tensa e criam um forte envolvimento com a obra de Jens Lie.
Falando um pouco do seu enredo, temos o seguinte: Andreas chega a uma cidade aparentemente distante e perceptivelmente estranha. O local é totalmente desprovido de diferenças, cores, gostos e as pessoas são extremamente passivas, frias e sem sentimentos. Como Andreas foi parar ali, ele não sabe. Muito menos como sairá e como conseguirá se adaptar a essa nova realidade. Ele ganha um emprego, uma esposa e passa a desconfiar de tudo e de todos. O desespero começa a lhe perturbar. A morte não existe, muito menos há vida. Não se pode ver crianças correndo. Não se pode ver o sentido daquela existência. Todos estão fechados em seus mundos e tudo é racional ao extremo. Essa sociedade está predestinada a viver daquele mesmo jeito para sempre, sem expectativas, rancores, medos, emoções ou dúvidas. Os que vão de encontro a esse regime, são retirados e colocados em um lugar inóspito, um nada.
Falando um pouco do seu enredo, temos o seguinte: Andreas chega a uma cidade aparentemente distante e perceptivelmente estranha. O local é totalmente desprovido de diferenças, cores, gostos e as pessoas são extremamente passivas, frias e sem sentimentos. Como Andreas foi parar ali, ele não sabe. Muito menos como sairá e como conseguirá se adaptar a essa nova realidade. Ele ganha um emprego, uma esposa e passa a desconfiar de tudo e de todos. O desespero começa a lhe perturbar. A morte não existe, muito menos há vida. Não se pode ver crianças correndo. Não se pode ver o sentido daquela existência. Todos estão fechados em seus mundos e tudo é racional ao extremo. Essa sociedade está predestinada a viver daquele mesmo jeito para sempre, sem expectativas, rancores, medos, emoções ou dúvidas. Os que vão de encontro a esse regime, são retirados e colocados em um lugar inóspito, um nada.
No filme, temos a eterna referencia a metafísica. Além disso, percebe-se um outro paralelo, uma realidade abstrata. Mas que através de metáforas podemos ligar ao nosso dia a dia e nossa vida na Terra. O quanto nos prendemos a uma felicidade traçada? Jens Lien nos convida a rever a forma como levamos nossa vida, o jeito que encaramos e nos importamos ou não com coisas, pessoas e sentimentos.
De repente, a vida está ai e não está sendo vivida. De uma maneira geral e até individual. Será que nós estamos certos do que queremos para nós? Eu estaria buscando uma felicidade minha ou uma predisposta?
O Homem que incomoda nos “cutuca”, e se você conseguir assisti-lo até o final, pode ter certeza que terá valido a pena.
Classificação Indicativa: 16 anos
De repente, a vida está ai e não está sendo vivida. De uma maneira geral e até individual. Será que nós estamos certos do que queremos para nós? Eu estaria buscando uma felicidade minha ou uma predisposta?
O Homem que incomoda nos “cutuca”, e se você conseguir assisti-lo até o final, pode ter certeza que terá valido a pena.
Classificação Indicativa: 16 anos
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
The Elephant Man (O Homem Elefante)
O preto e o branco da obra de David Linx nos retratam a história sofrida de um homem que viveu de dores e sonhos em uma sociedade movida pelas aparências. E esse personagem real nos deu um novo significado à beleza na vida.
Assim que comecei a ver o Homem Elefante
sabia que algo de espetacular e especial estava a minha espera. Revolução
Industrial, sociedade inglesa do século XIX, John Merrick como uma das atrações
do circo dos horrores. Com 21 anos, o Homem Elefante tinha uma vida que ninguém
desejaria a ninguém. David Lynch coloca um cenário duro, real e lindo. Se
emocionar com o longa é um lugar comum, as cenas fortes, a fotografia linda e a
triste história real se misturam em um amontoado de surpresas e de angustias.
Isto me faz dizer que esse é um dos melhores filmes que eu já vi. Ao longo da
obra, não há como não se apaixonar pelo jovem com o corpo todo deformado e de
sensibilidade transbordando nos olhos amedrontados. David fez o encontro do
sensível com o horror. Do horror com a beleza. Da beleza com a tristeza. Aos
poucos vamos desvendando John, vamos nos afeiçoando por ele e, assim, deixamos
as lágrimas escorrerem. Simplesmente um filme incrível, de aprendizado e de se
querer o bem. Uma obra que nos deixa reflexões, fantasias e assim se faz ser
lembrada. Sim, repito, um dos melhores. E se em cada cena me pergunto como essa
historia pode ser real, porque ela é, não saberia explicar tamanha
grandiosidade se ela não fosse. O Homem Elefante nos deixa a sensação de que
existe algo de singelo em todos os lugares, em cada um de nós e em cada
sentimento. Jonh Merrick foi um grande homem, O Homem elefante é um grande
filme e com certeza ficará na mente de quem o veja. Uma produção que faz a
gente se confrontar com os nossos próprios julgamentos, nossos preconceitos e
nos leva para uma viagem pertinho de um mundo interior único, único como cada
um é, seres humanos que somos, apenas seres humanos, e incríveis.
Classificação Indicativa: 16 anos
domingo, 11 de setembro de 2011
11 de setembro de 1973 - Classificação Indicativa 14 anos
No dia que é lembrando muitos dias antes de sua chegada, trago o curta metragem do diretor britânico Ken Loach.
E não, o tema central não é o 11 de setembro de 2001 dos EUA (que também considero um triste dia na nossa história). Nesse post, o foco é o 11 de setembro de 1973 no Chile. E esse, além de triste e terrível, foi desumano e atingiu trabalhadores e trabalhadoras chilenos em um dia que marcou a trajetória da luta popular no mundo.
Em 1973, o então presidente chileno Salvador Allende Gossen, socialista e eleito pelo voto popular, sofreu um golpe do chefe das forças armadas chilenas, Augusto Pinochet, que, com o apoio do governo americano e financiado pela CIA e pelas transnacionais norte-americanas, instalou o caos em um único dia da história e que vem perpetuando suas dores e tristes lembranças até hoje, 38 anos depois. Anos esses que só tendem a se redobrar, pois um acontecimento assim não é esquecido, a dor é sentida de longe, tanto em tempo como em espaço.
Infelizmente, esse 11 de setembro latino-americano pouco é lembrado, mas Ken Loach o concebeu em uma produção de quase 11 minutos e fez o trágico acontecimento de 1973 ganhar trilha, vozes, depoimentos, cenas e a dor, como ela bem foi difundida nesse dia. Originalmente feito para compor uma mostra de curtas que abordariam o acontecimento do ano de 2001, Ken levanta a trágica e covarde batalha contra a democracia e o povo chileno concretizado anos antes das Torres Gêmeas serem atacadas.
O curta lançado em 2002, ano no qual o 11 de setembro americano faria 1 ano, merece ser difundido e conhecido. Esse acontecimento histórico em forma de produção nos aproxima da luta e da necessidade de se conhecer cada vez mais a história e abrir as portas para causas e lutas justas, populares e que tragam autonomia, dignidade e força para qualquer trabalhador e trabalhadora em qualquer lugar do mundo.
"Eu sempre tenho confiança na inteligencia do povo. Então, se o povo organizado é inteligente, por que deveríamos ter medo de uma organização popular?" - Costureira Chilena em uma das falas do curta.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
José e Pilar
Quando li “Ensaio sobre a cegueira”, fiquei imaginando como seria o gênio por trás do sotaque português. Sem dúvida, deveria ser alguém bem interessante de se conhecer e bater um papinho em um fim de tarde.
O documentário “José e Pilar” me mostrou um Saramago do jeitinho que eu pensava: inteligente, engraçado, humano e sensível escritor. De quebra, veio acompanhado de sua mulher e amada, Pilar. Outro ser humano fantástico que tive muito prazer em conhecer. (...)
A intensa vida do casal é representada em lindas fotografias, diálogos prazerosos, inteligentes e divertidos. É o dia a dia, são os pensamentos e, principalmente, o amor. Mais de duas horas de filme que nos levam a reflexões e nos desnudam em frente a dois seres sensíveis e fortes. Despertam o choro e o riso, em passagens doces, descontraídas, fortes.
Vemos o trabalho em cima de seus romances, a agenda cheia de eventos e formalidades. A doença maldita, o recuperar esperançoso. A vida que é vivida, mas que sabemos, e ele mais do que todos, que tem uma data certa para chegar ao fim. E ai não existe espaço para o medo.
Placa da Rua Pílar Del Río, que cruza com a Rua José Saramago em Azinhaga, Portugal.
Vemos o trabalho em cima de seus romances, a agenda cheia de eventos e formalidades. A doença maldita, o recuperar esperançoso. A vida que é vivida, mas que sabemos, e ele mais do que todos, que tem uma data certa para chegar ao fim. E ai não existe espaço para o medo.
José e Pilar, Pilar e José. A ordem dos nomes não carrega importância. Vemos dois protagonistas. O diretor Miguel Gonçalvez Mendes trouxe à tona a personalidade de ambos, de maneira simples, real. Temos uma produção grandiosa, imagens que ultrapassam a questão da beleza e uma trilha musical agradável e romântica, como ela bem merecia que fosse.
Melhor ainda é descobrir que por trás desse belíssimo filme, existem toques conhecidos e que a gente, então, entende o porquê do resultado final ser tão rico. Fernando Meirelles é um dos grandes nomes os quais posso citar, o restante vocês podem conferir aqui.
Melhor ainda é descobrir que por trás desse belíssimo filme, existem toques conhecidos e que a gente, então, entende o porquê do resultado final ser tão rico. Fernando Meirelles é um dos grandes nomes os quais posso citar, o restante vocês podem conferir aqui.
Ainda bem que José Saramago e Pilar Del Río ousaram um dia se encontrar. Nos presentearam com romances, inspirações, sonhos...com a vida, na sua mais bela concepção.
Classificação Livre
Classificação Livre
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Mary and Max - Classificação Indicativa: 12 anos
Definitivamente um filme lindo, repleto de sensibilidade e de uma ironia pura misturada a um humor de traços tristes. Mary and Max entrou para minha lista de produções que eu precisarei ver novamente para me encantar mais uma vez. Uma animação tão humana e tão real que encantaria até o mais insensível dos seres. Muitos aplausos para Adam Elliot, que baseado em fatos de sua própria vida, dirigiu uma história de amizade entre uma garotinha australiana e um senhor americano. Uma relação escrita, de palavras, dúvidas, confiança, sentimentos. O longa é todo ele uma mistura dos opostos, sua essência é juntar o riso ao choro, a dura realidade a fantasia sonhada e o belo ao feio, que juntos se tornam na normalidade tão questionada. E se passamos a observar a vida, Elliot nos cutuca para vivê-la da melhor forma e sem reclamar muito das nossas pequenas coisas, porque, sim, existe a dor e sem ela não existiria a felicidade.
Deixo aqui a entrevista com o diretor, Elliot explicará melhor do que eu esse filme encantador.
Classificação Indicativa: 12 anos
Classificação Indicativa: 12 anos
domingo, 18 de abril de 2010
Wall-e
A animação da Pixar traz a história de um pequeno e sensível robô que se apaixona e vive uma aventura espacial em um futuro distante.
Mesmo com essa minha descrição manjada, é certo que o filme é lindo esteticamente e envolvente no seu enredo. Wall-e, o pequeno e sensível robozinho, demonstra um carinho intenso no seu olhar, e é ele quem nos hipnotiza durante todo o longa. O contraste central do filme, sentimentos interligados a tecnologia, é especialmente encantador. Consegue-se passar emoção e sensibilidade através de uma máquina “velha” e condicionada a viver de um mesmo jeito, monótono e quase sozinho. A excelente produção causou um despertar de afeições e carinhos acima do enredo, dos personagens e da parte acústica do filme. E com esse gancho de “parte acústica”, eu posso dizer que uma das coisas mais importantes e que, perceptivelmente, tiveram destaque foram os efeitos sonoros da animação. Um detalhe que em qualquer outro filme poderia ser imperceptível, em Wall-e ganhou uma ênfase enorme. Como não lembrar dos personagens desvinculando seus sons, suas vozes, o jeito de falar? Não, não dá. A trilha musical chega a ser uma parte da história, um “climatizador” de ambientes, de cenas. Cada detalhe serviu perfeitamente na criação dos habitantes e quadros da produção. De peças em peças os protagonistas, coadjuvantes e antagonistas foram surgindo, sensíveis, lindos, encantadores e irritantes, mas todos vinculados ao despertar de um sentimento.
A humanização, no sentindo mais singelo da sua palavra, do quase inanimado é um traço muito forte e presente na obra de Andrew Stanton, diretor da animação. Ainda percebemos uma critica leve e ao mesmo tempo pesada (sempre os contrastes) ao modo de vida humano. Aqui vou me ater aos detalhes, pois alguém que não viu o filme ainda pode estar lendo esse texto. Mas fica claro que os Robôs manipuláveis, ou sem inteligência racional e apenas seres inanimados somos nós, seres humanos. Consumismo de forma desenfreada, pela simples ação de consumir, depois, se amontoam em grandes lixos nossos prazeres descartáveis.
Bem, voltando ao personagem principal e que dá nome ao filme, Wall-e, o que eu tenho a dizer é que ele é um ser singular caracterizado pelos seus gestos e principalmente, como eu já havia dito, pelo seu olhar doce e de brilho intenso. Pelo entrelaçar dos seus dedos e por sua determinação e paixão, características tipicamente humanas, mas que cairam muito bem a um pequeno Robozinho sensível...
Classificação Indicativa: Livre
Bem, voltando ao personagem principal e que dá nome ao filme, Wall-e, o que eu tenho a dizer é que ele é um ser singular caracterizado pelos seus gestos e principalmente, como eu já havia dito, pelo seu olhar doce e de brilho intenso. Pelo entrelaçar dos seus dedos e por sua determinação e paixão, características tipicamente humanas, mas que cairam muito bem a um pequeno Robozinho sensível...
Classificação Indicativa: Livre
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
O homem que engarrafava nuvens
O titulo de sonhos é a porta de entrada para o lindo documentário que apresenta a vida de Humberto Teixeira, político, advogado, compositor e artista!
Apesar do fraco enfoque na personalidade de Teixeira, o que deixou muito a desejar, o filme transporta o público para um mundo cheio de peculiaridades interessantes e regionais. Fazendo baião e história, por trás dos bastidores, Humberto ganhou uma abordagem repleta de músicas e interpretações vindas de grandes cantores. O documentário chega próximo a ser um musical, tocante e envolvente. Como não se emocionar ao ver Lenine interpretando "qui nem jiló" ou Lirinha declamando o baião em pleno século XXI. É forte. A cara do Nordeste. A cara da gente. Vídeos raros foram resgatados. Temos uma surpresa ao nos depararmos com um papo em prosa entre Humberto e o Grande Luiz. É gostoso de ver, ouvir e sentir.
Talvez, para quem não tenha essa ligação forte com o Baião, o filme não seja tão bom ou envolvente e muito menos emocionante. Não. Infelizmente. A bagagem que a pessoa possui é importante para que o longa atenda ao que ele se propõe. Resgatar nossa cultura, nosso imaginário popular, e ver que do tão simples podem sair coisas extremamente belas.
Como dito no começo, não conseguimos ver ao fundo quem era Humberto Teixeira. Conhecemos seus feitos, sua arte, sua música, o que muitos - inclusive eu - nem imaginávamos antes de sentarmos na cadeira do cinema. No entanto, não chegamos a entender ao certo o seu eu, o eu Humberto, o Homem que se escondia atrás de Gonzaga e que era raptado por olhos verdes.
Fiquei com uma sensação muito boa ao sair do filme, gosto de "que coisa bonita", boa! As inúmeras participações especiais do documentário não caberiam aqui no post, mas são valiosas, grandes, merecidas. Teixeira nos deixou um presente, junto com Gonzaga em boa parte de suas composições, nos apresentou o baião e o levou para o mundo. E que gostoso escutar, que gostoso sentir.
E como não é só de música que se faz um filme, as fotografias mescladas ao enredo de composições do doutor Cearense deram ao documentário um ar grandioso. Lindas e fortes imagens foram projetadas e marcaram a narrativa com uma sensibilidade de extremo bom gosto.
Finalizo esse texto com a sensação de que deixei de dizer muita coisa, mas acredito que só vendo para entender o porquê de tantas glórias acerca do filme. Humberto engarrafava nuvens, desenhava canções, escrevia sentimentos.
Classificação Indicativa: Livre
Apesar do fraco enfoque na personalidade de Teixeira, o que deixou muito a desejar, o filme transporta o público para um mundo cheio de peculiaridades interessantes e regionais. Fazendo baião e história, por trás dos bastidores, Humberto ganhou uma abordagem repleta de músicas e interpretações vindas de grandes cantores. O documentário chega próximo a ser um musical, tocante e envolvente. Como não se emocionar ao ver Lenine interpretando "qui nem jiló" ou Lirinha declamando o baião em pleno século XXI. É forte. A cara do Nordeste. A cara da gente. Vídeos raros foram resgatados. Temos uma surpresa ao nos depararmos com um papo em prosa entre Humberto e o Grande Luiz. É gostoso de ver, ouvir e sentir.
Talvez, para quem não tenha essa ligação forte com o Baião, o filme não seja tão bom ou envolvente e muito menos emocionante. Não. Infelizmente. A bagagem que a pessoa possui é importante para que o longa atenda ao que ele se propõe. Resgatar nossa cultura, nosso imaginário popular, e ver que do tão simples podem sair coisas extremamente belas.
Como dito no começo, não conseguimos ver ao fundo quem era Humberto Teixeira. Conhecemos seus feitos, sua arte, sua música, o que muitos - inclusive eu - nem imaginávamos antes de sentarmos na cadeira do cinema. No entanto, não chegamos a entender ao certo o seu eu, o eu Humberto, o Homem que se escondia atrás de Gonzaga e que era raptado por olhos verdes.
Fiquei com uma sensação muito boa ao sair do filme, gosto de "que coisa bonita", boa! As inúmeras participações especiais do documentário não caberiam aqui no post, mas são valiosas, grandes, merecidas. Teixeira nos deixou um presente, junto com Gonzaga em boa parte de suas composições, nos apresentou o baião e o levou para o mundo. E que gostoso escutar, que gostoso sentir.
E como não é só de música que se faz um filme, as fotografias mescladas ao enredo de composições do doutor Cearense deram ao documentário um ar grandioso. Lindas e fortes imagens foram projetadas e marcaram a narrativa com uma sensibilidade de extremo bom gosto.
Finalizo esse texto com a sensação de que deixei de dizer muita coisa, mas acredito que só vendo para entender o porquê de tantas glórias acerca do filme. Humberto engarrafava nuvens, desenhava canções, escrevia sentimentos.
Classificação Indicativa: Livre
Um pouquinho do que eu tanto falei:
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
A máquina
O filme “A Máquina”, do diretor pernambucano João Falcão, brinca com nossas idéias e nos dá novas perspectivas diante de coisas tão simples. O longa nos faz embarcar em uma aventura cheia de originalidade, amor e suspense. São diálogos e narrativas envolventes, criativos e inteligentes que embalados por um ritmo compassado fazem uma história irreal sedimentar-se em nossa imaginação. Apesar de apresentar algumas falhas, a obra como um todo é um belíssimo exemplo de cultura regional, imaginativa e fantástica.
O enredo é acompanhado de músicas incorporadas de maneira nova e original, de um colorido nas roupas, nas fantasias e nas palavras. O cenário é perceptivelmente cenográfico, e acaba por dar ao filme uma proposta bem interessante de cunho teatral. A forma dos diálogos e da narrativa só reforça esse sentimento do mundo da dramaturgia dentro do filme. Elementos como esses fazem o longa tornar-se um conto de fadas pernambucano, peculiar e criativo. A ironia está presente nas entrelinhas, em trechos como: "Paraíba não, eu sou de Pernambuco", no romantismo e até no próprio nome da cidade central, Nordestina.
O elenco escolhido agrega um bom gosto à obra de João. Gustavo Falcão se encaixou bem como personagem principal e deu um ar mais natural a narrativa por ser um ator não tão conhecido, além de ser pernambucano, o que nos poupou de sotaques forçados. Famosos também incorporam o elenco, muitos com papéis secundários. Destaque merecido a Paulo Autran, que de maneira espetacular interpretou Antonio, personagem central, mais velho e ainda era o locutor em off. Seu brilhantismo iluminou ainda mais o filme.
Em relação às falhas citadas, uma delas se encontra no início da obra quando Mariana Ximenes, que interpreta o papel de Karina, aparece cantando e dando um ar introdutório a sua história. A idéia, apesar de boa, não gerou um bom resultado, tornando essa aparição artificial. Outros deslizes aconteceram durante o filme, alguns diálogos quebrados ou erros de continuidade, mas o resultado final é maravilhoso para nos atermos a pequenos e pontuais erros.
A iluminação de todo o filme acaba por entrar como um elemento importantíssimo. Às vezes, ela pode até ser considerada como um personagem, ou um cenário. É totalmente adequada e adaptada, ajudando na narrativa e na construção de cenas e de diálogos. É o clima em forma de luz reforçando mais ainda que ao vermos o filmes, viajamos para um novo mundo, "longe que só a gota", mas não longe nos nossos sonhos, apenas longe no espaço real.
Por fim, a máquina é um filme que vale a pena ser assistido, apreciado e contado adiante.
Classificação Indicativa: Livre
O enredo é acompanhado de músicas incorporadas de maneira nova e original, de um colorido nas roupas, nas fantasias e nas palavras. O cenário é perceptivelmente cenográfico, e acaba por dar ao filme uma proposta bem interessante de cunho teatral. A forma dos diálogos e da narrativa só reforça esse sentimento do mundo da dramaturgia dentro do filme. Elementos como esses fazem o longa tornar-se um conto de fadas pernambucano, peculiar e criativo. A ironia está presente nas entrelinhas, em trechos como: "Paraíba não, eu sou de Pernambuco", no romantismo e até no próprio nome da cidade central, Nordestina.
O elenco escolhido agrega um bom gosto à obra de João. Gustavo Falcão se encaixou bem como personagem principal e deu um ar mais natural a narrativa por ser um ator não tão conhecido, além de ser pernambucano, o que nos poupou de sotaques forçados. Famosos também incorporam o elenco, muitos com papéis secundários. Destaque merecido a Paulo Autran, que de maneira espetacular interpretou Antonio, personagem central, mais velho e ainda era o locutor em off. Seu brilhantismo iluminou ainda mais o filme.
Em relação às falhas citadas, uma delas se encontra no início da obra quando Mariana Ximenes, que interpreta o papel de Karina, aparece cantando e dando um ar introdutório a sua história. A idéia, apesar de boa, não gerou um bom resultado, tornando essa aparição artificial. Outros deslizes aconteceram durante o filme, alguns diálogos quebrados ou erros de continuidade, mas o resultado final é maravilhoso para nos atermos a pequenos e pontuais erros.
A iluminação de todo o filme acaba por entrar como um elemento importantíssimo. Às vezes, ela pode até ser considerada como um personagem, ou um cenário. É totalmente adequada e adaptada, ajudando na narrativa e na construção de cenas e de diálogos. É o clima em forma de luz reforçando mais ainda que ao vermos o filmes, viajamos para um novo mundo, "longe que só a gota", mas não longe nos nossos sonhos, apenas longe no espaço real.
Por fim, a máquina é um filme que vale a pena ser assistido, apreciado e contado adiante.
Classificação Indicativa: Livre
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Bastardos Inglórios
Tarantino mostra um jeito único e peculiar de se fazer cinema. Com Bastardos Inglórios eu consegui ficar em um estado de tensão e divertimento tudo ao mesmo tempo ou intercalados por minutos. Um filme que vale a pena suas quase 3 horas sentados no cinema. Ok, fechei os olhos em algumas cenas, porque sou fraca com sangue, mas também gargalhei e cheguei a lacrimejar um pouco. Quem procura por misturas de sensações, belas imagens, uma trilha envolvente e um bom filme pro curriculo, fica a dica: Bastardos Inglórios.
(depois tenho que sentar e escrever uma resenha sobre ele)
Classificação Indicativa: 18 anos
(depois tenho que sentar e escrever uma resenha sobre ele)
Classificação Indicativa: 18 anos
A Festa da Menina Morta
“Esse ano, dor é a palavra”. A frase dita por Santinho, personagem principal de “A festa da menina morta”, representa bem todo o conceito do filme. Um longa forte, que foge do lugar comum e dá espaço ao mundo da cultura popular brasileira, recheado de fé, misticismos, contrastes e irreverências. Um bom começo para a estréia de Matheus Nachtergaele como diretor de cinema. Trazendo uma história não tão incomum para o imaginário do povo brasileiro, Matheus colocou na tela cenas marcantes, algumas exageradas, como o porco sangrando até morrer, e que às vezes se tornam desnecessárias, pois o filme e seu próprio enredo, fotografia e personagens falam por si só como grandioso e chocante. A mistura foi um elemento fundamental para que pudéssemos observar os contrastes e dicotomias à que estamos sujeitos. Ao mesmo tempo em que Santinho lidera a população, que acredita fielmente no milagre do aparecimento do vestido da menina morta, ele também mantém um relacionamento incestuoso com seu pai, mistura de pecado com fé, poder, religião e milagre, todos convivendo em um mesmo filme, um mesmo drama, um mesmo imaginário. E essa magia que rodeia o filme é totalmente relacionada à fé e ao imaginário daquele povo, que levam consigo o desejo de acreditar em algo, como se fosse um alento para suas vidas, Matheus soube colocar bem essa questão ao longo de seu filme. O racional também esteve presente na falta da crença no milagre por parte do irmão da menina. Esse lado é importante, pois puxa a atmosfera do filme para um campo mais real, e ajuda o enredo a fugir do “totalmente imaginativo e irreal”. A fotografia lindíssima contribuiu para a construção do filme, a sensibilidade na escolha das imagens ajudou a deixar a produção de Nachtergaele mais dura e real. É válido salientar a importância dos personagens para a conjuntura do filme. Matheus foi inteligente ao utilizar em grande parte do elenco atores não profissionais e desconhecidos, mas que são a cara do filme. Eles ajudaram a criar um ar mais realista e natural à produção. Daniel de Oliveira, como personagem chave, se destacou bastante. Isso é perceptível no brilho de seu olho ao contracenar várias cenas. O exagero de sua interpretação, traços do teatro trazidos por Matheus, foi interessante pelo próprio papel que ele representava e exigia um tom mais grandioso e marcante. Alguns personagens tiveram pouca expressão, como o de Dira Paes que passou “batida” e sem muito a acrescentar. Algumas músicas, cantadas pelo próprio elenco, serviram de contraste com as pesadas cenas. Trilhas doces, suaves e extremamente regionais deram um ar mais leve e interessante ao filme. A produção é uma obra que simboliza uma poesia barroca, dura, forte e bonita, com traços singelos e puros contrastando com cenas irreverentes e inesperadas. Nesse filme, força é a palavra.
Essa resenha venceu o concurso do Diario de Pernambuco para compor o Júri Popular do Festival de Gramado de 2009.
Classificação Indicativa: 18 anos
Essa resenha venceu o concurso do Diario de Pernambuco para compor o Júri Popular do Festival de Gramado de 2009.
Classificação Indicativa: 18 anos
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