segunda-feira, 9 de julho de 2012

La Concejala Antropófaga - Classificação Indicativa: 16 anos


"E proponho aos cidadãos que experimentem em suas casas, porque não há nada mais democrático que o prazer."

Carmem Machi incorpora "La Concejala Antropofaga", curta-metragem de Pedro Almodovar. Filme de riso fácil em que a personagem desbocada faz um monólogo divertido, bizarro e, por que não, de um prazer peculiar. Feito entre um intervalo e outro de "Abrazos Rotos", em 2009, o filme da vereadora antropófaga foi inspirado na própria personagem de Machi no longa-metragem. Uma aparição de três minutos foi tão grandiosa e estimulante para o cineasta que ganhou um curta à parte. O prazer como bem social configura a bandeira de luta dessa divertida personagem, dessa faminta, insaciável  e divertida personagem. 

Curta com legenda em inglês clica aqui


Classificação Indicativa: 16 anos

O homem que incomoda

O Homem que incomoda é um daqueles filmes que a explicação vai além do que está a nossa frente. Requer reflexões e pelo menos 5 minutos de silêncio e concentração após o seu fim e o início do letreiro final. O titulo é muito bem-vindo, quando se vê que realmente existe um incômodo constante. Jens Lien, diretor, fez um longa parado, tenso, sem muita cor e muito menos vida. Falando assim, parece que não tem como parar e ver um filme desses, mas acreditem, como tem! Certas coisas vão sendo desvendadas aos poucos, as que não são, fica a nosso cargo imaginar, deduzir ou simplesmente ficar sem saber, porque simplesmente não precisam. A narrativa é acompanhada por uma trilha muito adequada. São canções instrumentais, que acabam nos levando a uma angústia tensa e criam um forte envolvimento com a obra de Jens Lie.
Falando um pouco do seu enredo, temos o seguinte: Andreas chega a uma cidade aparentemente distante e perceptivelmente estranha. O local é totalmente desprovido de diferenças, cores, gostos e as pessoas são extremamente passivas, frias e sem sentimentos. Como Andreas foi parar ali, ele não sabe. Muito menos como sairá e como conseguirá se adaptar a essa nova realidade. Ele ganha um emprego, uma esposa e passa a desconfiar de tudo e de todos. O desespero começa a lhe perturbar. A morte não existe, muito menos há vida. Não se pode ver crianças correndo. Não se pode ver o sentido daquela existência. Todos estão fechados em seus mundos e tudo é racional ao extremo. Essa sociedade está predestinada a viver daquele mesmo jeito para sempre, sem expectativas, rancores, medos, emoções ou dúvidas. Os que vão de encontro a esse regime, são retirados e colocados em um lugar inóspito, um nada.
No filme, temos a eterna referencia a metafísica. Além disso, percebe-se um outro paralelo, uma realidade abstrata. Mas que através de metáforas podemos ligar ao nosso dia a dia e nossa vida na Terra. O quanto nos prendemos a uma felicidade traçada? Jens Lien nos convida a rever a forma como levamos nossa vida, o jeito que encaramos e nos importamos ou não com coisas, pessoas e sentimentos.
De repente, a vida está ai e não está sendo vivida. De uma maneira geral e até individual. Será que nós estamos certos do que queremos para nós? Eu estaria buscando uma felicidade minha ou uma predisposta?
O Homem que incomoda nos “cutuca”, e se você conseguir assisti-lo até o final, pode ter certeza que terá valido a pena.



Classificação Indicativa: 16 anos